sábado, 10 de janeiro de 2009

Tâmaras com bacon & Lychees recheadas


Vou jantar a casa da minha cunhada mais nova e quis levar qualquer coisa. Como eles mandaram avisar que têm vinho a mais (como se isso fosse possível...), não levaremos as tradicionais garrafinhas de presente. Adoro tâmaras e o meu irmão faz umas enroladas em bacon óptimas, mas são fritas, o que resulta em calorias a mais e numa montanha de loiça para lavar. Optei por fazê-las no microondas: ficam iguaizinhas e dão um décimo do trabalho. Quanto às lychees, coisa que eu também adoro, recheei-as com queijo fresco temperado.

Para as tâmaras: é só enrolar uma titinha de bacon em cada tâmara (sem caroço) e prendê-la com um palito. Depois vão ao microondas numa camada só, em cima de pelo menos 4 toalhas de papel (e tapadas com outras 2), por mais ou menos 1-2 minutos (é bom ver a meio do tempo) na potência alta, até ficarem crocantes. Servir mornas.

Para as lychees, que usei em lata (claro), fiz uma pasta com 1 queijo fresco, sal e pimenta preta, salsa picada e piri-piri moído, e recheei-as com uma colher de café e muita paciência. Servir frias.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Tarte andaluza

Outra receita tirada da televisão, do programa da Gioconda Scott, uma inglesa/andaluza com nome de italiana, bonita demais para cozinhar tão bem. Mas o que é um facto é que as receitas funcionam. Esta tarte é de cair.

1 massa de tarte
100g de pinhões
5 pimentos vermelhos grandes
1 ovo
300ml de natas
300g de queijo roquefort (ou gorgonzolla) esmigalhado
sal e pimenta
azeite e raspa de 1 limão

Assa-se a massa de tarte coberta com papel de alumínio e feijões, sem deixar dourar. Reserva-se. Assam-se os pimentos no forno até ficarem escuros, limpam-se de pele e sementes, rasgam-se em tiras largas e marinam-se por meia hora no azeite, no sal e no sumo do limão. Rechea-se o fundo da forma com metade dos pimentos. Bate-se o ovo, juntam-se as natas e o queijo e bate-se bem. Deita-se na forma. Juntam-se os pimentos restantes arrumados em estrela (deixando queijo a vista nos intervalos) e salpicam-se com os pinhões e a pimenta. Assa-se por 15 min em forno esperto, ou até o queijo dourar, com cuidado para não queimar a massa. Óptima para acompanhar carne grelhada com uma salada de tomate.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Lombos de pescada gratinados

Nos nove anos em que vivi no Brasil, habituei-me a ter sempre em casa peixe fresco (fresco mesmo, não era daquele que passa uma semana no porão do barco, muitas vezes sem gelo...), já que o meu fornecedor habitual era nosso vizinho e saía de noite para voltar no dia seguinte com o peixe pendurado numa vara e ainda aos saltos.

Eu, que desde miúda sempre fui carnívora - consequência directa de ser filha de um veterinário/agricultor - e que os poucos peixes que comia e gostava eram bacalhau, jaquinzinhos, pescadinhas de rabo na boca e carapaus assados com molho à espanhola, aprendi a gostar de peixe e a cozinhá-lo durante estes anos. Continuo carnívora (não há nada que chegue a um bom entrecosto ou até a um bom bife), mas talvez metade das refeições que faço hoje em dia são de peixe.

E, já que não tenho nenhum vizinho pescador nem o mar a 100 metros de casa, compro-o congelado, à espera que o Diogo começe a fazer caça submarina outra vez e me traga pargos de 3 kilos.

E vamos à receita para o jantar de hoje, que não tem nada de novo, mas que tem a enormíssima vantagem de se preparar em 5 minutos:

1 embalagem de lombinhos de pescada descongelados
1/2 pacote de brócolos congelados
2 alhos franceses em rodelas
1/2 pacote de molho branco pronto
1/2 pacote de emmenthal ralado
Azeite q.b.
Sal e pimenta

Num pirex untado de azeite, acomodo as rodelas de alho francês, os lombinhos por cima e de seguida os raminhos de brócolos. Tempero de sal e pimenta e deito mais um fio de azeite. Cubro (mal) com o molho branco e salpico o queijo por cima. Asso no forno até dourar e sirvo com arroz branco, apesar de achar que não faz falta nenhuma.

Conserva de limão à marroquina

Gosto muito de fazer conservas e adoro tudo o que meta limão. E no meu pátio da frente eles começam a cair de maduros. Está na altura de fazer lemon curd e esta conserva marroquina que depois uso em vários pratos, principalmente para cozinhar frango. Tirei esta receita de um programa de televisão e já a fiz uma vez, mas com limões brasileiros, que são verdes e bastante mais doces que os nossos. Mesmo assim ficou bom.

10 limões grandes
½ kg de sal grosso (ou mais)
10 cravinhos
1 c. sopa de paprika
½ copo de vinagre
2 malaguetas

Cozer os limões inteiros por 3 horas, em água e vinagre, e deixá-los 24 horas nessa água. Escorrer, cortá-los ao meio, espremer a polpa para uma tigela, juntamente com os temperos e misturar bem. Juntar as cascas e misturar bem. Deitar num frasco grande e bem fechado e esperar 1 mês para usar.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Bola de fiambre, queijo e azeitonas

Gosto imenso de bolas e costumo aproveitar restos para as fazer. Esta é a receita base, mas pode ser feita com o que houver em casa, como carnes frias, restos de carne assada, frango, peixe, legumes e enchidos (com queijo e farinheira fica deliciosa).

2 cháv. de farinha
2 ovos
2 c. sopa de manteiga mole
1 cháv. de leite
1 c. chá de fermento
300g de fiambre em fatias finas
300g de queijo flamengo em fatias finas
100g de azeitonas pretas picadas
sal
pão ralado q.b.

Peneiro a farinha, o sal e o fermento, junto a manteiga e esfarelo até obter uma farofa grossa. Junto o leite, os ovos batidos e o sal e amasso até obter uma massa pastosa (tudo isto porque não tenho bimby nem robot, senão ia tudo lá para dentro ao mesmo tempo). Divido a massa em três e forro com uma das partes o fundo de um pirex untado e passado por pão ralado. Cubro metade das fatias de queijo e fiambre e metade das azeitonas, ponho outra camada de massa, repito o recheio e cubro com a última camada de massa. Pincelo com manteiga derretida e asso em forno médio até dourar. Sirvo só com salada ou mesmo sem nada, para comer à mão. Também fica boa com molho de tomate caseiro ou béchamel a acompanhar.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Frango à supositório

Acredito que toda a gente conheça esta receita, pois é um clássico. Mas é prática, fácil de fazer e quase impossível de estragar. E como hoje é terça-feira e o Diogo sai para jogar futebol com os amigos, é dia de fazer frango para o almoço - até porque ele chega a casa à noite tão esganado que come os restos e nem reclama.

1 frango
azeite q.b.
2 c. sopa de manteiga
bacon aos cubinhos
azeitonas picadas
1 limão
sal e pimenta
1 copo (ou 2) de vinho branco

Antes de tudo, um truque que aprendi com o Jamie Oliver: enfio a manteiga amolecida entre a pele e a carne do frango, à mão e com cuidado para não a rasgar; isto faz uma grande diferença no sabor final. Depois unto-o todo com azeite, sal e pimenta, enfio-lhe o limão (picado com um garfo) no dito, mais os cubinhos de bacon e as azeitonas, rego-o com o vinho e forno com ele, tapado com alumínio para não secar. Mais ou menos uma hora depois, destapo-o e deixo-o dourar.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Pudim de fiambre para dias de frigorífico vazio

Como diz o título, uma receita que costumo fazer quando não tenho (quase) nada em casa. Não dá trabalho, raramente sai mal (a não ser que me esqueça de que o tenho no forno...) e é comum ter todos os ingredientes em casa, por muito desfalcado que esteja o frigorífico. Foi o jantar de hoje.

200g de fiambre em cubinhos
100g de bacon em cubinhos
1 pão de forma sem côdea
400g de espinafres congelados
1 L de molho branco
Manteiga
Leite
Queijo ralado
Sal e pimenta

Forro o fundo de um tabuleiro untado com fatias de pão barradas com manteiga dos dois lados. Borrifo leite morno. Cubro com o fiambre e o bacon. Refogo os espinafres em manteiga e sal e espalho-os no tabuleiro. Cobro com as restantes fatias de pão, também barradas com manteiga dos 2 lados, deito o molho branco, ajudando com um garfo a que penetre bem, polvilho com queijo ralado e pimenta e levo a gratinar.

Trouxinhas de peixe com banana à Brasileira

Uma receita da Cláudia Cozinha para um jantar romântico. Leve, óptima e fácil de fazer, apesar de ser preciso cuidado para que fique com boa apresentação.

4 filetes de pescada (ou outro peixe branco)
1 limão
2 bananas
1 folha de alho-francês
Azeite q.b.
1 courgette pequena
1 cenoura
1 c. sopa de manteiga
3 c. sopa de polpa de manga
Sal e pimenta

Temperar os filetes de peixe com limão, sal e pimenta. Cortar as bananas ao meio e enrolar cada metade num filete, prendendo com uma tirinha de alho-francês escaldado. Aquecer o azeite e dourar o peixe lentamente. Cortar a courgette e a cenoura em fatias fininhas e escaldá-las em água e sal. Levar a lume brando a polpa de manga com a manteiga e 1 pitada de sal, agitar para ligar e servir com o peixe e os legumes.

domingo, 4 de janeiro de 2009

Torta de laranja da Milita


Ena, já me mandam receitas de família e tudo! Esta é mãe do Paulo, ex-colega de liceu que me descobriu aqui há dias. Primeiro que diz que não cozinha e depois amanda-se para uma torta enrolada, uma coisa facílima de fazer!

8 ovos inteiros
raspa e sumo de 2 laranjas
2 colheres de sopa de farinha maizena
0,5 Kg de açúcar

Bate-se tudo junto e vai ao forno a 200º durante cerca de 25 minutos. E ele não diz, mas enrola-se morna com um pano de cozinha polvilhado de açúcar, como de costume. Vou já fazer. Obrigada!

Sopa do mar à Indiana

Bom, depois das festanças, a última coisa que me passaria pela cabeça seria comida, certo? Errado. Para mal dos meus pecados, comecei o ano cheia de fome e sem vontade nenhuma de começar uma dieta, como deveria. Mas, para descargo de consciência, tirei da gaveta uma receita de peixe, mais ou menos leve, que fazia muito no Brasil quanto tinha visitas. É fácil de fazer, rende imenso e toda a gente gostava. Tenho uma vaga ideia de me ter inspirado numa receita da Nigella, mas não tenho a certeza. Enjoy!

1kg de peixe branco em cubos
1/2 kg de camarões inteiros descascados (reservar alguns inteiros para enfeitar)
2 cebolas grandes em fatias muito finas
Azeite q.b.
1 pitada de açafrão
1 pitada de cominhos
2 malaguetas picadas
½ polegar de gengibre fresco ralado
250ml de leite de coco
1 c. sopa de pasta de tamarindo
Sal
Coentros frescos para polvilhar

Com as cascas e cabeças dos camarões fazer um caldo com cerca de 1 litro de água. Coar e reservar. À parte, marinar o peixe com o gengibre e as malaguetas. Num tacho grande (que vá à mesa, de preferência - eu fazia num tacho de barro preto lindo), murchar as cebolas no azeite com os cominhos e o açafrão. Juntar o caldo coado, a pasta de tamarindo e o leite de coco. Temperar de sal. Quando ferver, deitar os cubos de peixe e os camarões e cozinhar por 5 minutos. Polvilhar os coentros e servir com gomos de limão, arroz branco e uma boa salada verde.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Até pró ano


... que me vou empanzinar pró Alentejo.
UM EXCELENTE 2009!

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Frango com capa de queijo e alho

Quando o Diogo sai, eu faço frango. Como hoje, apesar de saber que vou congelar metade, pois.

1 frango em bocados
2 copos de vinho branco
1 c. sopa de alecrim fresco picado
Sal e pimenta

3 dentes de alho
4 c. sopa de parmesão ralado
6 c. sopa de cream-cheese
1 c. chá de mostarda

Azeite para untar

Marinei o frango no vinho, sal, pimenta e alecrim desde ontem. Hoje de manhã bati todos os outros ingredientes no liquidificador e envolvi-os nos bocados de frango. Aconcheguei-os num pirex com uns pingos de azeite no fundo e assei em forno médio até dourar. Comi com uma salada, que eu não sou muito de arroz.

domingo, 28 de dezembro de 2008

O melhor bolo de chocolate do mundo (não, não é esse)

A T. desafiou-me para lhe apresentar um bolo de chocolate melhor que "o tal melhor bolo de chocolate do mundo" que, desculpem-me, acho doce demais e enjoativo que se farta. Como até conheço o dono da empresa, permito-me dizer que a receita da Kika (prima dele, aliás), de quem eu já falei aqui e que é minha amiga há quase 30 anos - e que foi quem me ensinou a cozinhar, diga-se de passagem -, é infinitamente melhor.

Deixem-me dizer também que o dela, assim como o outro, não é propriamente um bolo, é assim uma coisa em camadas. Nos cinco anos em que vivemos juntas, este bolo fazia um sucesso estrondoso nas jantaradas que dávamos para os amigos. A Kika chegou a fazê-lo para fora (ela fazia e eu era a manager, que entregava e cobrava, parte importantíssima do negócio) para alguns restaurantes muito chiques da nossa praça. Isso e uma blattertorte, que, essa sim, é a melhor do mundo. Lembrem-me de postar a receita.
200g de chocolate de culinária (Belleville ou Pantagruel)
175g de boa manteiga
5 c. sopa de açúcar
6 ovos
2 pacotes de boas waffers de chocolate
3 pacotes de natas Longa Vida, bem batidas com 3-4 colheres de açúcar
100g de nozes picadas
Para a mousse, derrete-se o chocolate em banho-maria (ou no microondas) com a manteiga; bate-se o açúcar com as gemas até engrossar e junta-se o creme de chocolate. Envolve-se, sem bater, com as claras batidas em castelo firme e leva-se ao frigorífico por uma hora, não mais. Entretanto, batem-se as natas, que devem estar bem frias, e junta-se-lhes o açúcar, batendo mais até endurecerem bem (cuidado para não se transformarem em manteiga) e reservam-se. Esmigalham-se as waffers a mão (à máquina ficam finas demais) e reservam-se.

Para a montagem, forra-se uma forma alta de fundo falso e de abrir com uma rodela, cortada à medida, de papel vegetal e mais uma tira a forrar as paredes. Todo o papel deve ser pincelado com manteiga derretida e depois polvilhado com uma parte das waffers esfareladas. Com a forma montada, deitam-se camadas de bolacha, mousse e natas, sucessivamente, até encher a forma, tomando cuidado para ficarem lisas, o que não é nada fácil. Vai ao frio umas horas (se for uma noite, melhor) e desenforma-se com muito cuidado (deixando a base de papel) para um prato raso meia hora antes de servir, e polvilha-se com as nozes picadas.

A Kika ainda tinha paciência para forrar as paredes da forma com waffers em pé, para formar um cesto de chocolate. Ficava lindo.
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Mousse de avelã da Tita

A minha irmã Cristina é a doceira da família. A outra especialidade dela são os molhos para saladas, que ninguém consegue fazer tão bons como ela. O problema é que ela não segue receitas, nem sequer de doces. Deu-me a receita original, que está anotada no caderno dela (não sabe onde a pescou, mas tem uma vaga ideia de ser alentejana), mas fui logo avisada que a mousse que comemos no Natal não foi feita assim, e ela não consegue dizer-me exactamente como fez, mas disse-me que a aldrabou com 2 claras em castelo para render um bocadinho mais.
250g de boa manteiga mole
200g de açúcar
1 c. chá de café instantâneo
6 gemas
250g de miolo de avelã
250ml de natas Longa Vida
avelãs inteiras para enfeitar

Bate-se na com a batedeira muito bem a manteiga até ficar branca, depois junta-se o açúcar em pó e o café instantâneo e torna-se a bater muito bem. Juntam-se as gemas uma a uma, batendo sempre. Levam-se as avelãs ao lume numa frigideira antiaderente para tostarem e, depois de frias, juntam-se ao creme. Batem-se à parte as natas até ficarem um bocadinho grossas e por fim envolvem-se ao creme, sem bater. Serve-se numa taça de vidro alta, enfeitada com avelãs inteiras, depois de ir ao frio umas horas.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Queijo temperado em berço de pão alentejano

Numa das três orgias pantagruélicas em que participei neste Natal (o primeiro em terras lusas em nove anos), na última, em casa do avô Jorge, houve uma entrada feita pela tia Teté que me fascinou, por boa e fácil de fazer. Um pão de kilo, redondo, alto e gordo, recheado com uma pasta alaranjada a fumegar, com uma crosta dourada que denunciava o queijo que a compunha. Comi, recomi e lambi-me como os gatos. A receita é esta, segundo a autora, mas eu gostaria que alguém me sugerisse uma alternativa para o agente aglutinador (já vão perceber), que achei que não fazia falta e roubava a cena aos queijos:

200g de queijo da ilha ralado
200g de mozzarella ralado
200g de "4 queijos" ralados (isto não ficou muito claro e não consigo que fique mais)
1 farinheira cozida e esmagada despelada
4 c. sopa de mayonaise (e cá temos o tal agente aglutinador)
1 malagueta finamente picada
1 pão alentejano alto e redondo

Segundo me disseram, os queijos são ralados e misturados à mão com a malagueta, a farinheira e a mayonaise, sendo que esta é só em quantidade suficiente para os manter juntos. Recheia-se o pão, ao qual se abre uma tampa e se tira completamente o miolo, e vai tudo a forno quente (destapado) até dourar. Serve-se muito quente.

Dúvida: nota-se a mayonaise, e achei uma pena. Pipoka, por favor pega nisto e faz qualquer coisa de fantástico.

Aaaargh!

Ainda não consegui arrumar a cozinha, quanto mais cozinhar. Também, depois dos 347 tupperwares a abarrotar que trouxe das três orgias pantagruélicas em casa da minha sogra, da minha tia e do avô do Diogo, acho que não vou precisar de fazer comida até mais ou menos ao meio de Janeiro.

Ele foi queijos de Azeitão e de Serpa e do diabo-a-quatro, sapateira, camarões, leitão, peru, lulas, favas, rosbife, arroz árabe, batata palha do Avillez (a 50 euros o kilo, acham normal?! Juro que as ia vomitando quando soube.), couvinhas de Bruxelas, batatinhas coradas, puré de maçã e de castanhas, e depois sericaia com ameixas de Elvas, bolo-rei e rainha (claro), torta de nozes, bolo de avelã com doce de ovos, broas de nozes, mousse de avelãs, mousse de chocolate, cheesecake, pudim de ovos, toucinho do céu, sonhos, velhoses, trufas de chocolate... ufa!

Até tenho vergonha do que alarvei nestes últimos dias. De maneiras que, quando me passar, posto aqui uma entrada de queijos derretidos com farinheira em berço de pão alentejano que achei de comer e chorar por mais.

sábado, 20 de dezembro de 2008

Hangover treat

Pois ontem houve jantar de Natal do grupo de Oeiras, no Hotel Baía em Cascais, e éramos mais de sessenta. Pois o jantar estava óptimo e era bar aberto com direito a DJ e tudo. Pois acabou às 6 da manhã e eu fiz 70 km hoje logo cedinho para casa por causa dos cães. Pois hoje vou passar o dia todo a comer isto:

1 c. sopa de manteiga (ou duas)
2 bananas às rodelas
sumo de 2 laranjas
2 c. sopa de açúcar

Frito as bananas na manteiga, deixo-as amolecer um bocadinho e depois junto o açúcar e o sumo das laranjas. Ferve mais um bocadinho e já está. É de comer e chorar por mais.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Lombo de porco recheado com passas e laranjas da Bahia

Como anda mal de amores e queria ver-me antes do Natal (isto de eu morar na província não facilita), a Maria Desassossegada veio cá jantar a casa ontem. Apesar do rol de desgraças, fartámo-nos de rir, como sempre. Para jantar, fiz um lombo de porco com cuscuz - Ai, cuscuz, que horror, enjoei essa porcaria na Tunísia! - mas comeu, recomeu e tricomeu e mais comia se houvesse! Adoro deitar preconceitos por terra...

Para sobremesa, outra triffle, que agora não quero outra coisa - e o pudim de pão e bananas não chegou ao jantar, como era esperado.

1 lombo de porco
passas q.b.
laranjas da Bahia (daqui do pátio, que tenho uma tonelada a estragar-se)
quadradinhos de bacon
1 cebola grande
azeite, sal, pimenta em grão e folhas de louro

Abri o lombo como um livro, untei-o com azeite e espalhei os quadradinhos de bacon, as passas e as rodelas de lanja com casca e tudo por cima. Temperei de sal e uma mistura de pimentas e fechei-o, sem o atar porque não tinha com quê. Fiz uma cama de rodelas de cebola num tabuleiro e deitei-o por cima, cobrindo-o com 3 ou 4 folhas de louro, mais rodelas de laranja e um fio de azeite. Tapei-o com papel de alumínio e forno com ele. Ficou francamente bom, apesar de não ter ficado redondinho como ficaria se o tivesse atado. Nota mental: comprar fio de cozinha.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Pudim de pão e bananas

Com este frio, só me apetecem sopázios, guisados, cozidos e estufados, tudo pesado e a fumegar. E, claro, sobremesas a condizer: quentes. Por isso - e por ter pão a mais e que ainda sobrou para fazer uma açorda - lembrei-me de fazer um pudim, de origem evidentemente inglesa mas que se fazia em casa dos meus pais desde tempos imemoriais. Foi encetado ao almoço e tenciono comê-lo pela tarde dentro.

Meio pão duro
Manteiga q.b.
6 bananas médias
100g de passas
4 cháv. de leite
1 cháv. de açúcar
3 ovos
Açúcar e canela para polvilhar

Untei um pirex fundo com manteiga. Forrei-lhe o fundo com cubos grossos de pão barrados com manteiga (é mais fácil barrar as fatias primeiro e cortar os cubos depois), mal arrumados. Cobri com as rodelas de banana e as passas. Bati o leite, os ovos e o açúcar com uma vara de arames e deitei por cima, ajudando com um garfo para o creme entrar bem no pão. Polvilhei com açúcar e canela e assei em forno médio até dourar, mais ou menos 40 minutos.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Triffle de avelã e framboesas

Fiz um bolo de avelã e passas ontem cuja cozedura me correu muito mal. Não conheço bem o fogão, já para não falar que ele já é velhote e está a precisar de uma reforma. Por isso, e também porque me distraí (às vezes acontece...), deixei queimar o bolo por baixo. Toca de dar voltas à cabeça para o aproveitar, que a vida está cara e eu não gosto nada de deitar comida fora, e porque o miolo estava óptimo. Claro que saiu uma triffle.

Para o bolo de avelã:
2 cháv. de açúcar
1 cháv. de margarina (usei óleo)
4 ovos inteiros
1 cháv. de água quente
1,5 cháv. de farinha
1,5 cháv. de miolo de avelã
1 cháv. de passas
1 pitada de sal
fermento q.b.

Para a triffle:
2 pacotes de natas Longa Vida batidas com 2,5 c. sopa de açúcar
vinho do Porto q.b.
1 pacote de framboesas (congeladas)

Bati os ovos com o açúcar, depois o óleo, os ovos inteiros um a um, a farinha peneirada com o fermento e a avelã, alternando com a água quente. Assei numa forma untada e enfarinhada, mas assei demais, como se viu. Cortei-o às fatias, depois de lhe tirar o queimado. O resto já se sabe, é fazer camadas alternadas de fatias de bolo com borrifos de vinho do Porto, natas e framboesas, acabando com as natas e as framboesas, de preferência numa taça de vidro alta.

Entrecosto à saloia

Com o frio que esteve nos últimos dias, o Diogo só me pedia cozido ou feijoada. Mas fazer estes pratos para dois é complicado e a alternativa é comê-los depois por dias a fio. De maneira que saiu isto:

600g de entrecosto
1 lata grande de grão escorrido e lavado
azeite e banha q.b.
1 cebola picadinha
2 dentes de alho
1 c. chá de massa de pimentão
2 c. sopa de massa de tomate
2 folhas de louro
sal e pimenta preta fresca
1 copo de vinho branco
1 chouriço preto (apeteceu-me)
Coentros para salpicar

Refoguei a cebola e o louro no azeite e na banha, juntei o entrecosto em bocados para dourar, dando umas mexidelas de vez em quando, juntei o alho fatiado e os restantes temperos e o vinho. Puz o chouriço por cima, depois de o picar com um garfo, e deixei guisar por uns 45 minutos, mas coisa menos coisa. Tive de deitar água para não secar. Quando estava quase pronto juntei o grão, deixei aquecer bem e servi com arroz branco.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Aproveito o facto de,

... por mais inacreditável que isso me pareça, terem vindo hoje 78 (78!!!) visitas a esta humilde cozinha (obrigada, obrigada...), para fazer um pedido singelo: vão aqui à m'Ana, leiam tudo (não é muito) e, se acharem que vale a pena, façam um comentário (ou vários) a pedir P'LO AMOR DA SANTA que ela poste pelo menos de vez em quando mais uma historieta com receita. É que nem é pela receita (apesar de cozinhar como uma santa e de ter o exclusivo das receitas de famelga, atribuído por mim num dia de muita generosidade), é mais pela historieta...

Pipoka, ou uma cozinheira de truz

Uma querida. Tem, com mais duas meninas, o Three Fat Ladies, um dos meu blogs-referência na arte de cozinhar (devidamente linkado ali em baixo), concorrido que só visto. Mesmo assim, e sem me conhecer de parte nenhuma, respondeu a um pedido meu, não com um link para uma eventual receita que tivesse publicado, mas por email e na primeira pessoa - e às 11 da noite!

Devo dizer que segui as suas indicações à risca e saiu muuuuuito bom. Só a manteiga é que não era açoriana... e carreguei no sal, que cá em casa somos salgados. Transcrevo-a na íntegra, porque tenho a certeza de que ela não se importa.

"(...) Habitualmente faço o rosbife no tacho à maneira inglesa (ou melhor, como a minha avó me ensinou...). Uns dentes de alho (esmagas mesmo com a casca), muuuita manteiga (daquela açoriana boa) e uma dose generosa de azeite (para evitar que a manteiga queime). Deixas derreter e quando estiver bem quente deitas o rosbife e selas a carne (lume alto...como se fosse um bife). Deitas umas pedritas de sal (nada de exageros, pois a manteiga já tem sal... quando a peça de carne é pequena, nem costumo deitar sal). Depois, tapas o tacho/caçarola e baixas o lume, que é para a carne cozinhar um pouco por dentro e libertar alguns sucos para o molho. O tempo que ela está é um bocado a olhómetro, depende se gostares da carne em sangue ou mais cozinhada. Costumo fazer e sai-me sempre bem, mas, como te disse, é mesmo a olho. Uso bastante manteiga, pois gosto de molhar o pãozinho no molho ;-). Habitualmente uso uma peça de carne pequena, sobre o comprido... nem sei muito bem o que é, costumo trazer dos Açores e lá no talho chamam-lhe "coelhinho" (dizem que é mais saboroso do que o lombo...).

bjs, Pipoka"

Peitos de frango com molho tropical

Gosto da mistura de carne e fruta. Costumo fazer isto quando o Diogo não está, pois é mesmo o género de receita a que ele torce o nariz.

2 peitos de frango grandinhos
1/2 cháv. de caldo de galinha (ou vinho branco)
1 banana madura mas boa
2 c. sopa de sumo de laranja
1 c. sobremesa rasa de mostarda boa*
1 c. sopa de sumo de limão
azeite q.b.
sal e pimenta
* Cuidado com a mostarda; se fôr boa demais, só sabe a mostarda...

Tempero os peitos de frango com sal e pimenta e alouro-os em azeite dos dois lados. Junto o caldo e cozinho em lume baixinho, tapado, até a carne ficar tenra (aí uma meia hora, se tanto). Entretanto, bato 2 c. sopa de azeite, o sumo do limão e da laranja, a mostarda e a banana às rodelas no liquidificador. Aqueço o molho um bocadinho na mesma frigideira onde estão os peitos, para que os sabores se misturem, e sirvo, com arroz, por exemplo.

Peitos de frango recheados

Adoro queijo fresco, principalmente se fôr misturado com tomate e orégãos. Isto é uma excelente maneira de dar graça a peito de frango.

2 peitos de frango abertos em livro
2 tomates maduros sem pele e sementes (quando tenho paciência...) e cortados em cubinhos
2 queijos frescos cortados em cubinhos
orégãos frescos
azeite
sal e pimenta preta
4 fatias de bacon fininhas e grandes, sem o courato

Rechear os peitos de frango com a mistura de tomate, queijo, azeite, sal pimenta e orégãos. Fechar e embrulhar nas fatias de bacon. Atar com cordel de algodão ou prender com um palito. Assar numa assadeira untada com azeite, por 20 min, em forno quente, deitando mais azeite e orégãos por cima.

Gambas com feijão branco

Descobri há uns tempos numa revista (não me lembro qual, desculpem) uma receita que juntava feijão branco - o meu preferido - e gambas - que também adoro. A dita receita usava gambas já descascadas, mas eu não me convenci e comprei inteiras. Mudei um bocadinho a receita e saiu assim:

1 lata grande de feijão branco
1 kilo de gambas inteiras
1 cebola picada
1/2 pimento encarnado em cubinhos
2 dentes de alho fatiados
azeite q.b.
1/2 copo de vinho branco (se fôr preciso)
1 copo do caldo das gambas
sal
1 malagueta
coentros para salpicar

Descasquei as gambas e com as cascas e cabeças fiz um caldo muito concentrado: refoguei meia cebola em azeite, juntei-lhe as cascas e 1 copo de água; depois de ferver um bom bocado para reduzir, passei tudo no liquidificador e coei bem coado - costumo fazer isto a mais e congelar. Depois fiz um refogado leve com a outra meia cebola, o pimento e o alho, juntei-lhe as gambas já descascadas, 1 copo de caldo (acabei por não usar vinho), rectifiquei os temperos e deixei ferver uns minutos para cozer as gambas. Juntei o feijão escorrido e deixei aquecer. Salpiquei os coentros e servi com arroz branco. Ficou óptimo.

Entrecosto de porco com mel e laranja

Do Jamie Oliver, personagem que me irrita um bocadinho mas que até faz coisas interessantes. Esta é uma delas, até para variar da massa de pimentão.

Entrecosto de porco
1 chili picado
6 alhos esmagados
raspa de 4 limões
sal, pimenta e paprika
4 c. sopa de mel
sumo de 2 laranjas

Marinar o entrecosto umas horas numa pasta feita com o chili, os alhos, a raspa de limão, o sal, a pimenta e a paprika. Assar num tabuleiro por 1 hora a 190 graus (quem me ler até pensa que o meu forno é eléctrico...). Tirar do forno e esfregar com o mel e o sumo de laranja. Assar mais 30 minutos.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Borreguinhos de azeite à alentejana

Ui, o que eu gosto de cozinha alentejana...

1,5kg de borrego aos bocados
4 dentes de alho
sal grosso
6 grãos de pimenta
2 dl de azeite
1 ramo de salsa

Esmagar os alhos com o sal grosso e a pimenta e barrar a carne com esta pasta, deixando-a marinar por uma noite (no mínimo) no frigorífico. Pôr a carne num tacho de barro, regar com o azeite e levar ao lume, tapado, abanando de vez em quando. Quando não sobrar líquido, ver se a carne está dourada e cozinhada. Se não for o caso, borrifar com um pouco de água e deixar cozinhar mais um pouco. Salpicar com a salsa picada e servir, com batatas fritas aos cubos.

Frango de coentrada lá de casa

Uma receita velhinha lá de casa.

1 frango aos bocados
2 c. sopa de margarina (eu, hoje em dia, usaria azeite...)
1 cebola picada
2 dentes de alho picadas
1 c. chá de colorau
1 molho de coentros picados
1 L de caldo de galinha
2 gemas
Sal e pimenta

Refogar a cebola e os alhos na margarina, juntar o colorau, mexer bem e juntar o frango, o sal e a pimenta. Dourar, juntar o caldo e deixar cozinhar por 30/40 min ou até estar cozido. Pisar os coentros e juntá-los ao molho, misturando para que ele fique verde. Desfazer as gemas num pouco do molho e juntar, para engrossar um bocadinho. Servir com arroz branco e batata-palha.

Frango noisette

À moda do Pantagruel, pois claro, que era a Bíblia lá de casa. Uma delícia, mesmo feito com estes frangos de agora que não sabem a nada.

1 frango (caseiro, de preferência)
50g de toucinho
50g de presunto
Banha, salsa e alho q.b.
Sal e pimenta
1 L de caldo de carne
½ chav de nozes picadas
½ chav de avelãs picadas
½ chav de pinhões picados
3 gemas
1 alho francês picado

Corta-se o frango em bocados, tempera-se de sal e pica-se o toucinho e o presunto. Frita-se tudo junto numa colher de banha, até alourar. Pisam-se os frutos secos, um dente de alho frito, a salsa e o alho francês, até fazer uma pasta a que se junta 1 gema para ligar. Junta-se esta pasta ao frango e cobre-se de caldo, mexendo tudo muito bem. Cozinha em lume brando até o frango estar cozido. Antes de servir, ligam-se as 2 gemas restantes com um pouco do caldo e devolve-se ao tacho para engrossar um bocadinho o molho.